<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-20279504</id><updated>2011-12-28T04:19:05.824-08:00</updated><title type='text'>Cantos e Encantos</title><subtitle type='html'>João Rodrigues, 100% cearense, leonino, casado, flamenguista, estudante de Letras, tenho tantos anos de vida e adoro viver. Gosto de ler, escrever (alguns malucos iguais a mim me conveceram disso e acabei acreditando), gosto de futebol, praia... e como todo bom cearense, nada melhor do que um bom Forró para alegrar o ambiente.

Aqui vocês encontrarão poemas, contos, literatura de cordel, causos e outros.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cantoseencantos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20279504/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantoseencantos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>João Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18092356537262365769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20279504.post-113580457066108690</id><published>2005-12-28T13:14:00.000-08:00</published><updated>2005-12-28T13:39:40.146-08:00</updated><title type='text'>Utopia Nordestina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O calor era insuportável. Nenhuma sombra havia no meio daquele nada. Verde ali, só alguns mandacarus. A cabeça de Fabiano fervia. Sinhá Vitória vinha logo atrás com os dois meninos, seguidos pela cachorra Baleia, que de vez em quando cheirava algum osso que encontrava mas logo desistia, pois o osso era tão duro que mais parecia uma pedra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A família de retirantes marchava no meio daquela sequidão rumo a um futuro incerto, como muitos outros já haviam feito. Fabiano se arrependeu por não ter partido com seu Tomás da Bolandeira. Aquele velho sabido com certeza iria se dar bem na cidade grande. Não tinha ido junto por causa de sinhá Vitória, dizendo que não dava certo. Mulher desgraçada! Por causa dela, estava ali no meio daquele inferno, prestes a morrer de sede. Infeliz! Devia ter largado ela lá e levado os meninos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olhou para trás e sentiu pena daquela miserável que sofria tanto quanto ele. Como gostaria que a chuva chegasse, para não ter que deixar o querido sertão e acabar o sofrimento daqueles coitados. Uma lágrima caiu de seu rosto, enxugou-a com a mão empoeirada. Maldita seca! O sertão, outrora tão bonito, agora estava daquele jeito, triste, sem vida, só poeira e ossos.&lt;br /&gt;Agora carregava o filho mais novo nas costas, pois o pequeno não agüentava mais a caminhada. Sinhá Vitória, com uma trouxa na cabeça, resmungava qualquer coisa enquanto segurava a mão do mais velho. Coitada! O sol deveria estar torrando os miolos daquela infeliz. A sede já apertava, o último gole d’água da cabaça já tinha acabado. Pediu a Deus que encontrassem um pouco de água barrenta, o que era quase impossível ali.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De repente, avistaram um juazeiro. Bendita árvore! A única que resistia àquilo tudo. Agora iriam descansar um pouco. Fabiano foi o primeiro a sentar, admirando-se com a quantidade de pássaros na árvore. Pensou um pouco, talvez tivesse água por perto, só podia ter. Logo Baleia apareceu com as patas molhadas. Era uma nascente de água cristalina. Beberam até matar a sede. O sertanejo tirou o chapéu e agradeceu a Deus. De sede não morreriam mais. Logo caíram num sono profundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O sertão estava bonito que dava gosto! O gado, gordo que era uma beleza! Sinhá Vitória e os meninos estavam gordos também. Até Baleia estava mais bonita. Também pudera! Fabiano agora era fazendeiro, tinha gado e terra, não dependia mais de patrão nem de ninguém. Nunca mais trocaria o Nordeste por lugar nenhum deste mundo. A miséria tinha acabado, não tinha mais seca, graças a Deus e a seu Tomás da Bolandeira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O velho tinha voltado para o sertão e trazido com ele um doutor, tal de engenheiro agrônomo, para resolver o problema da seca. Seu Tomás sempre dissera que naquele chão tinha água de sobra. E tinha mesmo. Fizeram poços e barragens, canalizaram a água na terra toda. Estava feita a irrigação de que o velho tanto falava. O governo dividiu a terra entre o povo. Agora todos podiam plantar e colher seus próprios frutos. A seca tinha acabado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fizeram uma cooperativa, e o que sobrava da safra era vendida para a cidade grande. E Fabiano sorria! Seus dentes agora brancos e bem-cuidados era resultado de mais uma idéia de seu Tomás. Haviam construído um posto de saúde, e o governo dava assistência. E o povo agora sorria!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fabiano botou os meninos na escola, pois estudar dava resultado. Não queria que os filhos fossem como ele. Não é que o diabo do velho tinha razão! Estudar era bom mesmo. Até sinhá Vitória queria aprender a ler, e aprendeu. Todas as crianças foram para a escola. Como estava diferente o sertão! A solução sempre estivera lá, esperando alguém para descobrir. Era como seu Tomás dizia: “Os poderosos jamais resolverão nossos problemas, Fabiano. Eles nos querem sempre burros e na miséria.” O velho tinha razão. Como era sabido aquele velho!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas agora acabara. O sertão era dos sertanejos, como sempre deveria ter sido. Pois o sertanejo nunca quis esmola, mas sim uma oportunidade para obter o seu próprio sustento. Nunca quis a terra de ninguém, mas sim condições para viver com dignidade no seu próprio chão. Aqueles miseráveis sugavam até a última gota de sangue do pobre homem. Isso também acabara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Nordeste agora era outro. Tinha água e comida, tinha fartura. O povo tinha estudo, tinha uma melhor visão do mundo, não era mais escravo da ignorância. Tudo de que o Sertanejo precisava era trabalho digno e educação. Fabiano tinha. O povo tinha isso. A miséria do Nordeste nunca foi a seca, e sim o descaso político.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas o nordestino venceu a ignorância, a fome e a seca. E o Nordeste agora sorri.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Este trabalho foi classificado no Prêmio Literário Nossa&lt;br /&gt;Gente, Nossas Letras e publicado pela Record em 2003.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20279504-113580457066108690?l=cantoseencantos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cantoseencantos.blogspot.com/feeds/113580457066108690/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20279504&amp;postID=113580457066108690' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20279504/posts/default/113580457066108690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20279504/posts/default/113580457066108690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cantoseencantos.blogspot.com/2005/12/utopia-nordestina.html' title='Utopia Nordestina'/><author><name>João Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18092356537262365769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
